Tutorial sobre Fotos e Câmaras.
Como tirar boas fotos.


http://www.audiophoto.com.br - Versão 1/1 01/10/2005 Autor: Sérgio Gelli.


Esta é uma forma diferente de encarar o "aprender fotografar" que tem sido e acho que vai continuar sendo, uma jornada meio que misteriosa.

Felizmente para quem só quer fotografar, todas conversas antigas sobre velocidade, abertura, medição da luz , fotômetros, telêmetros, caíram no esquecimento e não assustam mais. Há mais de 10 anos que as máquinas fotográficas estão cheias de recursos e automatizadas ao extremo, a ponto de você nem ao menos ter que mudar o filme.

Fotografar ficou muito fácil nos tempos de hoje, pois com a simplicidade e o automatismos dos equipamentos, os estragos causados pela interferência do fotógrafo nos complicados ajustes da câmera ficaram reduzidos à quase nada ou seja para fotografar bem basta escolher o assunto, apontar e disparar! Mas ainda assim, é grande a quantidade de fotos que saem simplesmente feias, ruins, pobres. Porque isso ainda acontece?

Em todos os tempos da história da fotografia, o maior responsável pela qualidade das imagens obtidas, sempre foi o operador da câmera fotográfica. No momento do "click" a foto é gravada, reproduzindo a realidade tridimensional (nosso bom e velho mundão, que aí vemos), em uma imagem plana, sob o ponto de vista das lentes e com os recursos do meio sensível da câmera (filme ou chip fotográfico). Se nesse momento alguma coisa acontecer...É para sempre!

A qualidade de uma imagem gravada é o resultado de uma somatória de pequeníssimos atos, fatos, recursos e outros elementos do cotidiano fotográfico difíceis de lembrar e que estão PRESENTES no momento da tomada.

Não importa se sua câmera fotográfica é digital ou tradicional. Conhecer seus recursos e limitações é essencial para obter boas fotos, mas independente do equipamento que você esteja usando, existem coisas que "detonam" o resultado de qualquer tomada. São procedimentos simples que independem de regulagens complicadas e por sua simplicidade ninguém dá a devida importância, mas elas respondem por 95% das fotos infelizes. Isso quer dizer: Se você está fazendo fotos ruins, não vá logo culpando a câmera.

Sem querer dar uma de psicólogo, psiquiatra, padre ou coisa parecida, sinto informar que a maioria dos nossos problemas, defeitos, falhas, estragos fotográficos são causados por nós mesmos (95%), e um sinal de maturidade é parar de procurar as causas fora de nós. Mas tranquilize-se e pode ter certeza, é fácil ir para o paraíso da fotografia. Basta aprender contar até 3 (três) entre procedimentos bem simples!

Fotos perfeitas simplesmente contando até 3 (três)?

Isso mesmo! Basta contar até 3 fazendo os procedimentos relativos e sua foto será digna de capa de revista!

1-Escolha a iluminação.
2-Enquadre.
3-Dispare.

Nessa altura você deve estar chateado, achando que perdeu tempo nesta leitura que coloca um assunto tão complicado nesta maneira tão simplista...Bom, temos boas, más, novas e velhas notícias!

As boas:
Realmente as coisas são simples assim como contar 1, 2 e 3.
As más:
Cada um dos itens tem infinitas literaturas, a sua e a nossa cultura.
As novas:
Vamos ensinar fazer boas fotos com um mínimo de conhecimento. E vai dar certo!
As velhas:
Hoje sua câmera fotografa bem! Tudo que ensinaremos se aplica a fotos comuns. Fotos técnicas e artísticas são um caso à parte e para obte-las, muitas vezes utilizam-se meios contrários dos aqui ensinados e é preciso preciso estudar muito bem os elementos da fotografia.

1-Escolha a iluminação.
2-Enquadre.
3-Dispare.

Então vamos em frente! Vamos estudar um item de cada vez, mas desde já fica aqui a advertência:

Se pular qualquer das três etapas, sua foto está com 1/3 de chance de sair ruim. Um terço é muita coisa, não é verdade?

1- Veja a iluminação. Itens A,B, e C.


A - A Intensidade da Luz.

Primeiro verifique se sua câmera pode fotografar em dias nublados, em sombras externas de casas, de árvores, caso afirmativo, tenha em mente que os termos "sombra" e "nublado" não são precisos, mas sua câmara é muito exigente quanto à isso. Uma sombrinha um pouco mais escura e %$#@*, já era!

Mesmo que sua câmera tenha recursos para fotografar em dias nublados e sombras, somente o faça em dias claros. Um dia claro seria por exemplo: Está nublado, mas você pode jurar que não vai chover) e em sombras externas claras (Ex: Sombra de uma árvore é clara, de um bosque é escura). Caso contrário ou se tiver dúvidas quanto à luz, use um flash. Aliás você pode usar um flash sempre, mesmo no sol!

Não se iluda. Cores brilhantes, bem saturadas e contrastadas, só são possíveis com muita luz. Não importa que sua máquina custe milhares de dollares, sem luz não há fotografia. Luz fraca também provoca e facilita a ocorrência de fotos tremidas e além do mais, existe um efeito chamado "profundidade de campo focal" que determina a nitidez de tudo que você fotografa independente de regulagens de distância, ou seja quanto mais luz, mais nitidez.

Caso você tenha um flash, ótimo! Você tem sua própria luz e pode fotografar em qualquer lugar.

Mas cuidado! Boas fotos com flash estão limitadas à distâncias curtas, sendo que a maioria dos modelos de flashs iluminam bem só até 2,5 metros (pouco menos que três passos). Não confie nos catálogos de flashs amadores que dizem que suas unidades permitem fotos com mais de 3 metros, pois você poderá ter fotos mal iluminadas.

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B - Qualidade e uniformidade da luz.

As câmeras fotográficas não tem capacidade para nivelar diferenças de luz muito grandes.

Um lugar horrível para fotografar é quando este local está metade iluminado pelo sol forte e a outra metade tem uma sombra pesada. A pobre câmera não pode se ajustar para as duas luzes ao mesmo tempo e o resultado será um lado muito branco ou um lado muito preto ou ainda os dois lados muito ruins.

Os objetos e pessoas tem que estar iluminadas com a mesma intensidade que o ambiente que elas se encontram, exceto é claro, nas fotos técnicas e artísticas, mas aí já é outra história e fica para mais tarde.

Em lugares meio sol meio sombra, use o flash. Aliás, você pode melhorar muito as fotos tiradas no sol: Basta usar o flash, apesar de estar no sol! Você vai ver que desaparecem certas ruguinhas e sombras "inconvenientes".




C - A Direção da Luz.

Quem já não ouviu falar na famosa foto tirada "contra a luz"? É aquela que os personagens saem escuros e o fundo clarinho, clarinho...Parece básico, não é verdade?

Pois não é!

O principal fator que leva à essas imagens muito feias é o esquecimento. Espero que ao usar nossa técnica 1,2,3 você nunca mais esqueça de analisar a luz antes de fotografar.

Fotografar contra luz não é somente quando o sol está na frente da câmera, é também contra-luz as fotos com fundos mais claros que o assunto que está sendo fotografado, por ex: Pessoa na sombra de uma árvore contra o céu de um dia claro ou pessoas na sombra de um guarda-sol na praia.

Objetos e pessoas com o sol iluminando só um lado ou sol à pino também produzem sombras feias no rosto das pessoas.

Esse tipo de iluminação tem efeitos acentuados (piora bastante) nas fotos em que as pessoas e objetos estão mais afastados.

Use um flash para melhorar o resultado numa situação de direção inadequada da luz.

2-Enquadre.


O enquadramento, uso do visor.

Em sua grande maioria, um visor de câmera fotográfica é bastante fiel ao resultado final, exceto por pequenos detalhes, tais como: A foto "pega" um pouco mais além do que é visto pelo visor, e existe um tal de "efeito de paralaxe" que corta a cabeça quando fotografamos muito de perto ( está mais para "defeito de paralaxe").

Mesmo assim, quase 100% das fotos são feitas de uma distância exagerada. Talvez pelo temor de cortar cabeças e pernas até os próprios fabricantes exageram, fazendo visores que vêem menos do que está sendo fotografado. Resultado: A tomada é feita com muita distância. Tem muita foto que é preciso usar uma lupa para ver quem é o "artista" que está lá longe, no fundo da foto.

Para evitar essa tendência, uma boa tática é sempre, mas sempre mesmo, ajustar a cabeça e os pés das pessoas quase nas margens do visor. Não priorize só as paisagens, no final você e as outras pessoas vão querer ver gente nas fotos.

Você pode até se afastar para abranger uma paisagem de um angulo maior, afinal grandes vistas necessitam de grandes distâncias, mas peça para as pessoas ficarem mais perto da câmera.

Faça alguns testes para conhecer as abrangências reais do visor do seu equipamento e ao fotografar olhe os quatro cantos do visor, passe os olhos pelos quatro lados, elimine áreas vazias e as que contiverem coisas indesejáveis.

Uma dica importante para quem usa suas fotos no computador: Faça fotos horizontais. Lembre-se que a tela de seu computador é retangular e horizontal. Fotos verticais vão ser mal apresentadas na tela. Então assuntos que são por natureza verticais, tal como um rosto, devemos considerar as possibilidades artísticas de poses que resolvam essas dimensões.

É muito comum vermos os usuários de câmeras digitais batendo fotos olhando pela telinha que existe atrás da câmera, embora esse não seja o procedimento correto, você pode fazer isso se quizer, contudo, em primeiro lugar: Você não vai enchergar e apontar direito. Segundo: Vai gastar muiiiiita pilha. Use o display para fotografar somente em situações que isso seja necessário.

Mas o principal, o mais importante a fazer nesta fase é aproximar-se o máximo possível, sem cortar partes importantes.
3-Dispare.


Disparando a câmera.


Uma seção só para falar do "clique", não é um exagero?

Bem que eu gostaria que não fosse, mas o fato é que muitas fotos se perdem nesse momento e essa perda é causada pelo movimento que fazemos ao apertar o botãozinho de disparo da câmera.

Existem pessoas que nunca tiveram problemas com isso, mas uma grande parte de nós, tem perdido fotos por ter tendências para disparar a câmera fotográfica de modo rápido e, infelizmente me incluo nessa turma. Se eu não me policiar na "hora do clique", minhas fotos saem tremidas.

As fotos MUITO tremidas qualquer um conhece. As vezes os detalhes da imagem ficam aparecendo repetidos e remontados, enfim, é um verdadeiro "terremoto". Mas as fotos ligeiramente tremidas, saem embaçadas e são frequentemente diagnosticadas como fotos desfocadas. Então na maioria das vezes, interpretamos esse "tremido" como falta de "foco" ou "nitidez". É comum até mesmo profissionais classificarem uma foto tremida como uma foto mal focada ou como falta de resolução, mas "falta de foco" somente ocorre em circunstâncias em que o nosso alvo fotográfico está fora de uma distância pré-definida na câmera fotográfica, porém note que tudo que estiver nessa distância pré-definida deve aparecer de forma nítida na foto.

Naturalmente, diagnóstico errado, leva à remédio errado!

Portanto verifique a verdadeira causa do embaçamento. Se sua foto saiu embaçada, mas existem regiões nítidas, é porque houve falha no ajuste de distância na objetiva de sua câmara. Contudo, se não existe nenhuma região nítida na sua foto, então é muito grande a probabilidade da câmera ter tremido na "hora do clique".

Como evitar esse defeito: Dispare sua câmera L E N T A M E N T E . Apenas segurar firmemente a câmera não vai bastar, é preciso não move-la e um disparo rápido vai balançar a câmera e tudo mais. Faça uns testes: Clique rápido no disparador de sua máquina fotográfica em várias fotos e veja os resultados.

Se prestar atenção, você vai perceber o movimento da câmera no momento do clique rápido, apenas olhando pelo visor e isso pode ser feito agora mesmo sem filmes ou pilhas. Treine fazer cliques bem lentos e suaves com a câmera vazia. Conseguiu? Pronto, sua carreira de fotógrafo já decolou!!!


Resumo:
Só fotografe se estiver consciente da análise das três etapas.

1 - A luz do ambiente é adequada?
2 - Estou captando no visor corretamente?
3 - Vou disparar lentamente?

Uma dica: Se logo após uma tomada, você não se lembrar de detalhes da sua análise, em qualquer dos itens acima, é sinal que você não lhes deu a devida importância.

Por favor, NUNCA despreze uma dessas fases.


Umas palavrinhas sobre Composição Artística da Imagem.


Existem escolas clássicas e modernas, tendências, gurus, modismos e terríveis preconceitos para julgamento da forma, do design, da imagem e existem ainda os embusteiros, que com conversa polida e autorizada pelos tirânicos críticos de arte ou eles próprios, imortalizam obras esquisitas.

Fala-se na clássica Regra de Ouro para a análise das regiões e dimensões nobres de um quadro, das regras para disposição das massas, das linhas de fuga e uma sopa de opiniões que mais fazem mal do que bem.

Fuja de tudo isso, pelo menos por enquanto.

Para compor uma imagem, siga seu coração. Se o quadro que se formar no visor de sua câmera for de teu agrado, vá em frente. Contudo, estude sempre que puder e com mestres que não usem palavras sem sentido, pois muito temos que aprender.

Um exemplo prático:
Escolha uma paisagem onde haja uma linha do horizonte afastada, plana e bem definida, poderia ser o mar, uma cadeia de montanhas ou uma planície.
Faça uma foto colocando essa linha próxima da base do visor.
Em seguida da mesma posição, faça outra foto, desta vez colocando a linha do horizonte ligeiramente acima do meio do visor.
Ao observar as fotos prontas, você sentirá uma sensação de distância e profundidade na primeira ( horizonte baixo) e sentirá proximidade e acessibilidade na segunda (horizonte alto).

Isso é transmitir idéias, sentimentos por uma imagem.


Claro que se você está olhando pelo visor de sua câmera fotográfica, então você já analisou se a luz está adequada, não é?

Lembre-se que pular uma etapa
pode resultar em efeitos indesejáveis em sua foto!

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Até breve e boas fotos!

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